TROVAS NA VITRINE

(Dia dos Enamorados - Bragança Paulista)

Em teus braços quero estar
Quando a aurora raiar
Quando a dor me atropelar
E do pesadelo acordar

Um anjo bateu-me à porta
Embora hesitante a abri
Trouxe presente, que sorte!
O amor que lhe pedi...

A lua, opaca e cansada
Despede-se dos corações
Quando o sol da alvorada
Convida ao brilho a paixão

Não te prives de carinho
De afeto ou de amor
Quem escolhe estar sozinho
Anda de braços com a dor

Nasce tímido o afeto
Cresce ousado o carinho
O romance se completa
Com o atrevido beijinho

Paixão, carinho, afeto
Reconquista e doação
Felicidade é incompleta
Sem amor e compreensão

Quem ama mostra carinho
Mostra atenção e ardor
Escolhem fazer um ninho
Pleno de paz e calor

Solidão me dói no peito
Porque perdi seu amor
Vivo cá meio sem jeito
Em parceria com a dor

Não dê adeus, pois a vida
É feita de retrocesso
Mas às vezes, certas idas
São viagens sem regresso

Se não me queres, não minta
Manda-me embora, sem galho
Vou sofrer mas não me sinto
Carta fora do baralho

A vida tem mil perfumes
Que não posso aspirar
Pois teu cheiro de ciúme
Tenta me asfixiar

Faço trovas sem parar
Pois este é meu Dom no momento
Só não consigo rimar
O meu com o teu pensamento

Se a tua recordação
Vem trazer melancolia
Pego o papel faço versos
E essa dor vira poesia

Tu dizes que só me beijas
Quando eu parar de fumar
Pergunto-lhe: a qual desejo
Devo renunciar?